Maio Amarelo 2026: cuidar dos pneus do seu carro também é enxergar o outro no trânsito
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Maio chegou, e com ele uma das mobilizações mais importantes do calendário brasileiro voltadas à preservação da vida. O Movimento Maio Amarelo entra em sua 13ª edição com um tema que dialoga diretamente com a realidade das nossas ruas e rodovias, "No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas". A proposta convida cada motorista, motociclista, ciclista e pedestre a olhar para além do próprio trajeto, reconhecendo que cada decisão ao volante afeta a vida de outras pessoas.

E quando falamos em decisões ao volante, existe um conjunto de cuidados muitas vezes esquecido pela rotina apressada, mas diretamente ligado à capacidade de proteger a si mesmo e quem está ao redor, a manutenção dos pneus.
O Maio Amarelo nasceu no Brasil em 2014 como uma iniciativa do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) e, ao longo dos anos, tornou-se uma das maiores mobilizações globais em prol da segurança no trânsito. O mês foi escolhido porque, em 11 de maio de 2011, a ONU instituiu a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, transformando maio em um marco mundial de reflexão sobre o tema.
A cor amarela carrega um simbolismo importante, já que representa atenção e advertência, exatamente o que se espera de cada usuário das vias. Em 2026, o movimento mantém o mote "desacelerar" como um de seus eixos centrais, reforçando que reduzir a velocidade continua sendo uma das atitudes mais eficazes para evitar lesões graves no trânsito brasileiro.
Os números mostram a urgência da campanha. Apenas no estado de São Paulo, entre 2023 e 2024, foram realizados mais de 118 mil atendimentos a vítimas de acidentes envolvendo carros e motos, com um custo superior a R$ 130 milhões para o sistema de saúde. Na região de São José do Rio Preto, especificamente, os atendimentos a vítimas de acidentes de moto somaram cerca de R$ 9 milhões no período, um retrato claro do impacto humano e econômico que o trânsito provoca por aqui.
Os pneus são o único ponto de contato entre o veículo e o asfalto. Toda a tecnologia embarcada em um carro moderno, freios ABS, controle de estabilidade, airbags, sistemas de assistência à condução, depende, no fim, dessas quatro pequenas áreas de borracha que tocam o chão. Quando um pneu está mal calibrado, desgastado ou com idade avançada, todo esse aparato técnico perde eficiência. E os efeitos aparecem justamente nos momentos em que mais precisamos do veículo respondendo bem, como em uma frenagem de emergência, uma curva inesperada ou uma chuva forte.
É por isso que falar de segurança no trânsito durante o Maio Amarelo passa, necessariamente, por falar de pneus. Um motorista que mantém os pneus em boas condições aumenta sua margem de reação, melhora a aderência em piso molhado, reduz a distância de frenagem e fica mais preparado para enxergar e respeitar o outro nas vias.
A boa notícia é que cuidar dos pneus envolve atitudes simples, acessíveis e que cabem facilmente na rotina de qualquer motorista. Cinco delas merecem destaque especial.
1. Calibragem semanal
A pressão correta dos pneus interfere diretamente na aderência, na frenagem e na estabilidade do veículo. Estudos europeus, como o conduzido pela Dekra Road Safety, demonstraram que pressões inadequadas comprometem a precisão da direção e aumentam a distância de frenagem. A recomendação dos fabricantes é simples, calibrar pelo menos uma vez por semana, sempre com os pneus frios, seguindo as indicações da etiqueta presente na coluna da porta do motorista ou no manual do veículo.
2. Verificação da profundidade dos sulcos
O Código de Trânsito Brasileiro determina que a profundidade mínima dos sulcos do pneu seja de 1,6 mm. Abaixo desse limite, o pneu é considerado careca, fica impróprio para uso e pode gerar multa em fiscalização. Mais grave do que a multa, porém, é o risco real. Sulcos desgastados perdem a capacidade de escoar a água em dias de chuva, o que aumenta drasticamente as chances de aquaplanagem. Uma verificação visual rápida, feita uma vez por mês, já dá uma boa noção do estado de cada pneu.
3. Atenção à idade do pneu
Mesmo aparentando boa condição, um pneu envelhece. A borracha sofre ressecamento natural ao longo do tempo, perdendo elasticidade e capacidade de aderência. A recomendação da maioria dos fabricantes gira em torno de cinco anos a partir da data de fabricação — informação que pode ser conferida na lateral do pneu, no código DOT, em uma sequência de quatro dígitos que indica a semana e o ano de produção.
4. Alinhamento e balanceamento em dia
O alinhamento e o balanceamento influenciam diretamente o desgaste do pneu, o consumo de combustível e a estabilidade do carro em alta velocidade. A recomendação geral envolve revisar esses dois itens a cada dez mil quilômetros, ou sempre que o veículo apresentar sinais de vibração no volante, puxada para um lado ou desgaste irregular.
5. Rodízio dos pneus
Os pneus dianteiros e traseiros se desgastam de maneiras diferentes, principalmente em veículos com tração dianteira. O rodízio periódico, feito a cada dez mil quilômetros, distribui esse desgaste de forma mais uniforme, prolonga a vida útil do conjunto e mantém o comportamento do carro previsível em qualquer condição.
O tema do Maio Amarelo 2026 carrega uma camada que vai além do olhar literal. Enxergar o outro envolve reconhecer que o motociclista atrás do caminhão pode não ter espaço para reagir, que o ciclista na ciclovia confia na previsibilidade do seu carro, que o pedestre na faixa tem o direito de atravessar com segurança. E nada disso funciona se o veículo não responde corretamente quando o motorista precisa.
A segurança no trânsito se constrói com decisões pequenas e diárias, tomadas por cada motorista que pega o volante. Verificar a calibragem antes de uma viagem, observar o desgaste dos pneus, agendar uma revisão preventiva. Atitudes assim parecem simples, mas são exatamente o tipo de cuidado que reduz acidentes, protege famílias e transforma o trânsito em um espaço mais seguro para todos que dividem as ruas com a gente.




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